Congresso debate a comunicação nos organismos da Justiça

8L2A0352

Autoridades do Poder Judiciário e assessores discutem, em Belém, “A comunicação pública como instrumento de transformação social”

Com o tema “A comunicação pública como instrumento de transformação social”, foi iniciado na manhã desta quinta-feira (16), no hotel Princesa Louçã, em Belém, o XII Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação da Justiça (Conbrascom). O evento, que vai até esta sexta-feira (17), reúne autoridades do Poder Judiciário do País, assessores de comunicação do setor judiciário e acadêmicos de instituições de ensino superior da capital paraense e de outras cidades brasileiras.

Durante os dois dias de programação do XII Conbrascom, Belém será a capital nacional que sediará discussões sobre a comunicação pública. A partir deste tema, o Conbrascom visa não só abordar o gerenciamento da comunicação pelas instituições para atingir seus objetivos, mas valorizar o aprimoramento das relações sociais e de responsabilização social.

Em entrevista ao LeiaJá, Vanderlei Ricken, presidente do Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), falou a respeito do tema que será debatido durante o evento. “A temática da comunicação pública é muito importante porque volta a lembrar a todos os agentes da Justiça e aos profissionais de comunicação que nós precisamos estruturar minimamente os setores de comunicação nos órgãos e sistemas de justiça”, disse. De acordo com o presidente, o Conbrascom permite o compartilhamento de conhecimento com um caráter transformador. “O evento possibilita aos profissionais compartilharem não só suas experiências profissionais, mas levar principalmente a comunicação como uma forma de transformação social e de criação de cidadania”, informou.

Palestrante no primeiro painel do dia, o ministro Lelio Bentes Corrêa, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), elogiou a iniciativa de se promover um amplo debate sobre a comunicação pública no Brasil. “O Conbrascom vem contribuir não só para com o debate da comunicação como instrumento de transformação social, mas serve principalmente para repensar junto à sociedade questões sobre a comunicação pública”, disse. O ministro também criticou duramente os cortes orçamentários impostos ao Poder Judiciário, sobretudo aqueles que atingem a Justiça Trabalhista. Segundo ele, a amputação financeira compromete ações efetivas da Justiça em defesa dos direitos humanos, particularmente no que se refere ao combate ao trabalho infantil e ao trabalho em condições análogas à escravidão.

Além do presidente do FNCJ e do ministro Lelio Bentes Corrêa, foram convidados para compor a mesa de cerimônia o desembargador Francisco Sérgio Silva Rocha, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8); a desembargadora Maria das Graças Cabral, do TRT/RJ; o procurador Hideraldo Luiz de Souza Machado, procurador da Procuradoria Regional do Trabalho da 8ª Região; o juiz de trabalho Pedro Tourinho Tupinambá, presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região (Amatra 8); e o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho.

“Vivemos em um momento no qual é extraordinária a realização de um fórum desta natureza”, disse Zenaldo. “Vivemos hoje em um país com um marco histórico e que teve, através da comunicação, uma grande repercussão de toda a crise que assola o país, como com a operação Lava Jato”, completou Zenaldo, falando sobre o que já é considerada a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve. “Precisamos refletir sobre o universo da comunicação e aproveitar para aprimorar o exercício da profissão”, afirmou Zenaldo, que citou, ainda, dois exemplos de como a comunicação, por meio dos jornalistas, contribui para avanços sociais: “Destaco a situação do trabalho escravo, onde em muitas regiões ainda é presente, e o trabalho do Portal da Transparência, ferramenta importantíssima para que o cidadão acompanhe onde o dinheiro público está sendo gasto pelo Governo”.

O Conbrascom também conta com a participação de vários estudantes da capital paraense. Em entrevista ao LeiaJá, Tácio Fonseca, estudante de Jornalismo, falou da oportunidade de participar de um evento como este. “Eu me interesso bastante pelo tema a respeito da comunicação pública, principalmente pelo fato de ser estagiário de órgão público e ter que lidar diariamente com esse assunto. O evento em si é de grande importância especialmente por discutir a comunicação como forma de transformação social”, afirma.

Fonte: http://www.leiaja.com/node/518882